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 29/04/2017 - 02:41:56
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Perfil do autor
Sobre o autor
Lúcio Reis
Belém, PA, Brasil

Perfil

1-Nome: F Lúcio N Reis
2-Filiação: Lúcio de Melo Reis e Catarina Dulce Nunes Reis, ambos falecidos;
3-Data de Nascimento: 20 de Abril de 1948;
4-Natural de: Caeté-MG;
5-Profissão: Militar aposentado;
 
Diversão: Escrever, ler, conversar com amigos, navegar Internet e trocar informes com amigos virtuais, dançar (dança de salão), brincar dominó e trabalhar;
Pensamento: "Haverá um dia em cuja aurora, o ser humano perceberá claramente que praticar a humildade e viver em fraternidade, transformará o planeta, - não no paraíso, pois este é dos espíritos de luz -, num ambiente em que o sorriso prevalecerá e as lágrimas correrão na face em função da alegria ou da saudade"
 
Meu pai, era ex-pracinha (FEB) e após a guerra veio para o Norte e aqui em Belém, conheceu minha mãe. Namoraram, ficaram noivos mas, ele teve que retorna para o sul e, com ela casou por procuração. Em seguida ela viajou para o sul, em navio ainda escoltado por submarinos brasileiros e lá nasceram uma a filha mais velha, eu e um irmão e aqui no estado do Pará mais quatro, sendo uma mulher e três homens, compondo uma prole de 07 filhos dos quais, 06 estão vivos.
 
Meu pai, ingressou no Serviço Especial de Saúde Pública - SESP, onde exerceu a função de auxiliar de saneamento, a qual só podia ser exercida no interior do Estado e assim, moramos em vários municípios, iniciando por Capanema, para o qual o meio de transporte era o ferroviário. Depois foi transferido para Marabá, de onde saímos em 1958 e onde vivemos uma das maiores enchentes dos rios Tocantins (um dos afluentes do Rio Amazonas, que passa à frente da cidade) e do Rio Itacaiunas que passa na outra face do município e desta, fomos morar em Ponta de Pedras, um dos municípios da Ilha do Marajó.
 
Morando em Ponta de Pedras, conclui o que chamávamos curso primário, antes dos 14 anos de idade mas, desejava prosseguir estudando e assim com esforço de meus pais, vim para Belém, morar com meus avós maternos. Fui inscrito ao concurso de admissão ao ginásio industrial, na Escola Industrial de Belém, depois Escola Técnica e hoje uma faculdade o CEFET. Passei em terceiro lugar e fui classificado e iniciei o curso ginasial.

 

Quando estava cursando a 2ª série, meu avô faleceu, minha avó foi morar com uma tia e eu ficaria sem ter onde ficar. Mas, já havia feito amizade com dois colegas (irmãos entre sí) de turma e com seus familiares. Os pais deles tomando ciência de minha situação, convidaram-me para ir morar com eles e aceitei e então, tive a oportunidade de privar com duas pessoas de valor inigualável em termos de responsabilidade, honestidade, dignidade. Desse tipo de seres humanos que estão em extinção da face da terra. Morei com a família do Sr Edmundo Pereira de Souza e Maria de Lourdes Gonçalves e, pelo carinho e orientação que recebi na complementação de minha formação como cidadão, o casal foi meu padrinho de casamento e a denominação que dei na pia batismal ao meu filho, fui a maneira que encontrei para dizer a família meu eterno muito obrigado, pois o Sr Edmundo e D. Lourdes, hoje já estão entre nós. Em resumo: fui privilegiado e presenteado por Deus ao ter dois pais e duas mães.
 
Quando aluno de curso primário em Ponta de Pedras, a minha professora no Grupo Escolar e a tarde particular, a que se chama Ivete Noronha Tavares, usava um método de ministrar aula de descrição, usando uma paisagem a qual colocava a nossa frente, pois tinha outros alunos particulares, para que fizéssemos a descrição do que víamos naquela foto ou reprodução. Assim entendo, tenha sido iniciado minha atividade de rabiscador de textos.
 
Aluno de 2ª série ginasial, - e aí voltamos a Belém -, fui escolhido para participar dos Jogos Paraenses Ginásios Colegiais - JOPAGICOS -, uma espécie de olimpíada entre os colégios de Belém e fui representar a Escola, na maratona intelectual, cujo tema era o seguinte: "Menssão
 in coporeo sã". Escrevi umas duas folhas de papel almaço e sagrei-me vice-campeão, isso lá pelos idos de 1962 ou 1963, sendo essa, no meu entender o que viria a ser a minha primeira composição redacional. Infelizmente não tenho cópia da mesma.
 
Terminei o ginásio mas, e iniciei o curso cientifico área de ciências biológicas, pois pretendia ser médico.. Mas, já estava com 17 e prestes a completar 18 anos e fiz meu alistamento militar e fui servir a Pátria, com intuito de tirar o certificado de reservista, documento muito pedido aquela altura a candidato a emprego. Já estava prestes a ser licenciado do Exército, quando o Sr Edmundo foi transferido para o município de Castanhal, que dista de Belém, uns 60 km e novamente, ficaria sem teto e então, como saída, conversei com meu chefe de secção um Coronel de Artilharia, oriundo do Rio Grande do Sul e expliquei-lhe minha situação. Ele mandou-me engajar por mais um ano e aí sim, fiz curso. Passei em primeiro lugar e fui o primeiro a ser promovido.
 
Com a melhoria salarial, aluguei uma casa e trouxe para capital, minha família: minha mãe e meus irmãos, que aquela altura já estava morando no município de  Igarapé-Açú. Meu irmão nascido também em MG e mais novo que eu um ano, fez faculdade, formou-se em engenharia e foi morar na Paraíba, onde reside até hoje.

 

Com 23 anos de idade casei em 11/12/71 e meus padrinhos de casamento foram o Sr Edmundo e D Lourdes, outra maneira que encontrei de lhes dizer muito obrigado.
 
Com 06 anos de casado, fui convidado a participar do ECC - Encontro de Casais com Cristo, na Igreja Católica. Já tinha vivência do catolicismo, pois minha mãe nos criou dentro da Religião Católica. Fui acolito  mas, desde moleque já era questionador e meus questionamentos foram o fato do papa se deslocar dentro do Vaticano carregado sentado num andor e a outra é que sua coroa era uma superposição de três. No ECC trabalhei 07 anos e destes 04 anos fui coordenador da equipe de sócio-drama até, que chegou o ano em que a Campanha da Fraternidade, teve como tema: "Muitos com pouco e poucos com muito".
 
Dentro da Campanha da Fraternidade, houve a campanha do envelope, a qual consistia em que cada casal encontrista recebia um envelope  e, a esse casal era atribuído um quarteirão da cidade para que distribuísse em cada residência um envelope no qual poderia ser depositado um valor não estipulado e que seria uma doação à Igreja. Porém, nas pregações que antecederam essa campanha, havia uma forte pregação do clero, condenando os latifundiários, foi aquela época em que a Igreja pregava a opção pelos pobres e etc...Em algumas reuniões, levantei a voz e ponderei que entendia a pregação revolucionária e contrária as orientações legais. Mas, era rebatido, e diziam-me que eu estava equivocado. Dentro dessa pregação portanto, foi-me dado a crer que a campanha da fraternidade atenderia os interesses dos mais necessitados.

 

Bem! Recolhemos os envelopes e todos os entregamos na paróquia e foi realizado uma reunião de todos os encontrista para a prestação de contas; a campanha arrecadou naquele ano 32 (o padrão monetário da época não me recordo) mas, creio que seria 32 milhões de cruzeiros. Destinação: x% para a cúria, x% para o arcebispado e x% para a paróquia. Aí e, nesse momento, foi dada a largada para aparecer o escritor Lúcio Reis.

 

Senti-me indignado, revoltado e na mesma hora quis reclamar mas, a Norma minha esposa, não deixou eu bradar. Uma semana depois, ao abrir o Jornal O LIberal, leio a crônica do João Malato, um jornalista de estilo contundente e contrário aos procedimentos do clero progressista, a qual tinha como título: "Opção pelos Pobres". Após lê-la, meti o papel na máquina e fiz um relato do fato ocorrido comigo no ECC e na campanha do envelope. No dia seguinte o João Malato, ocupa todo espaço dele com a crônica: "Vejam como se faz opção pelos pobres" e transcreve na íntegra minha narrativa em sua coluna. Como não inventei, nem caluniava, coloquei meu endereço, CI, CPF e telefone e, então foi-me possível conhecer a outra face de uma religião, pois o que não faltaram foram ameaças de morte e um terrorismo a cada telefonema.

 

-Há ainda mais detalhes mas, vou ficar por aqui em relação a Igreja, pois, ao ser colocado dentro da redação do Jornal, creio que meu estilo foi do agrado do redator e quanto mais eu escrevia mais o jornal publicava e houve semana, que a coluna do leitor, foi ocupada por mim três vezes e até hoje escrevo.

 

Em 1999, fui submetido a uma cirurgia cardíaca em 11/03/99, a qual não deu certo e no mesmo ano em 24/06/99, com 105 dias da primeira voltei ao hospital e ao bloco cirúrgico com edema pulmonar agudo e novamente fui operado do coração, no qual me foi colocada uma prótese de válvula aortica.
Em casa sem fazer nada, recuperando-me, fui catalogar o que eu já havia escrito e, constatei que já havia produzido até aquele ano, 1441 crônicas abordando os mais diversos temas e, todas elas datilografadas, pois em 1978, quando escrevi pela primeira para o Jornal, não havia computador.Hoje tenho um acervo de mais de 2000 fls e estou trabalhando para lançar três livros: 2 de crônicas e um poesias
 

Em 2001 ou 2002, comprei um computador e passei a escrever no PC e também passei a conviver com o mundo virtual e, fazer amigos via Internet. Um dia escrevi algo que foi entendido como um poema pela minha amiga Cida, que mora em São Paulo, a qual me perguntou se eu não queria publicar num site de uma amiga dela. Disse-lhe que não, pois acha que não havia qualidade. Ela insistiu e mandou o que escrevi à Sueli do Espírito Santo, que publicou o meu escrito e daí, foram surgindo os convites para as Cirandas e, fui tomando gosto e escrevendo e assim, conheci virtualmente a Lindinha seu esposo Bernardino (aliás o mesmo nome de meu avô paterno) e você também. A Cida, a tenho como minha madrinha neste mundo de sonhos, de fantasias, de verdades tristes, de alegres verdades e no qual, quando inicio a escrever "compor", sinto que meu eu se desprende de minha matéria e divaga num espaço que ao mesmo tempo é-me familiar e também desconhecido.

Desculpe-me amiga. Agora é que percebi que o breve ou pequeno currículo, não ficou tão pequeno e nem breve. Junto com os dez poemas, mando-lhe a foto.
Boa noite!
Um carinhoso abraço
Lúcio Reis
 
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